Rumo do norte

Rumo do norte

Com o fim das aulas deste semestre aproveitei para descansar uma semana antes de estudar para os exames, por isso rumei ao norte do país, acompanhado pelo calor se fez sentir.

Partindo de Lisboa de autocarro e passando por algumas localidades do país, desde Fátima, Viseu e Vila Real, parei em Bragança. Esta cidade conta com imenso património histórico, como o castelo que já visitei anteriormente e aconselho a visitar pelo espólio que tem e pela vista que nos oferece.

P1130413

Fachada da antiga estação rodoviária de Bragança

P1130414

P1130415

P1130419

Centro histórico da cidade com o castelo no fundo

P1130421

P1130422

P1130424

P1130425

P1130427

P1130426

Mas não fiquei por terras brigantinas, passei uma temporada numa aldeia em Vinhais, concelho vizinho, que me traz muitas recordações de infância, principalmente do natal e das férias de verão. Aqui estive rodeado pela natureza, livre de quase todas as preocupações, quase sem contacto com o exterior devido à fraca rede de telemóvel e de internet, o que foi benéfico para descansar a mente.

P1130461

P1130457

P1130470

P1130471

Digitalis purpurea, planta conhecida popularmente como Dedaleira ou Estourotes (porque as crianças estouravam nas testas uns dos outros como brincadeira).

Os dias foram passados a dormir até tarde (porque sou dorminhoco) e a passear à tardinha, a ver o pôr do sol, enquanto sentia o fresquinho da noite que chegava ao som dos grilos, que previam calor para o dia seguinte.

P1130450

Para os mais distraídos, é possível ver dois aviões que quase cruzam os seus caminhos.

P1130495

P1130499

Mais tarde, passava o serão à espera da lua, que para minha surpresa também nasce como o sol. Estava habituado a ver a lua já no céu, às vezes mesmo antes de anoitecer, mas nunca pensei ver uma das coisas mais bonitas da minha vida!! Tentei tirar algumas fotos, mas nenhuma faz jus ao momento que vivi em plena madrugada, sozinho numa varanda enquanto contemplava as estrelas.

P1130431

P1130437

P1130440

É muito bom poder ter estas experiências e é um orgulho poder dizer que sou metade madeirense e metade transmontano, devido à minha ascendência.

 

Seria um crime não comprar livros

Seria um crime não comprar livros

Livros, livros, livros!! Nunca são demais, mas só aqueles que quero mesmo ler por prazer, não por obrigação.

Ultimamente ando numa procura incessante para aumentar a coluna de livros da mesinha de cabeceira, desde Harry Potter (sim, sou potterhead) a Agatha Christie, passando por Morris e Goscinny e também autores nacionais como Luís Portela.

Tenho aproveitado os livros em segunda mão da CashConverters, onde se vendem livros, cds, dvds, além de outros produtos, por preços bastante baixos. Comprei um livro de compilação de várias bandas desenhadas de Lucky Luke por apenas 1 euro!

Ontem fui pela primeira vez à Feira do Livro de Lisboa, onde pessoas das mais variadas idades e nacionalidades percorreram as diferentes livrarias que se encontram no Parque Eduardo VII. A tarde começou calma, apenas vagueando por entre milhares de livros expostos, a ver as novidades, bem como as promoções para aqueles livros que já estão na lista dos desejos desde o anúncio das datas da feira.

IMG_4794.jpg

IMG_6585.jpg

IMG_6576.jpg

Houve uma pausa para jantar antes da Hora H, a tão aguardada hora dos maiores descontos do dia. A maior conquista no meio da correria foi a compra de Um Crime no Expresso do Oriente e Anúncio de Um Crime, ambos de Agatha Christie por apenas 11 euros na Livraria Leya.

Captura de ecrã total 07062017 232224.bmp

Acabei a noite na baixa, passeando pelo Chiado e pelo Terreiro do Paço juntamente com amigos, vendo a luz que ilumina a cidade adormecida e também já enfeitada com os primeiro preparativos para os Santos Populares.

IMG_5184.jpg

IMG_5181.jpg

Certamente irei repetir a experiência no ano que vem!

Agradecimentos:

Kateryna Chelnokova (By My Own Way)

Catarina Pinho (Batom e Botas da Tropa)

Luís Duarte Sousa (Metropolitan Boy)

Fátima: o centenário das aparições

Fátima: o centenário das aparições

No passado dia 13 deste mês comemorou-se o centenário das aparições da Senhora Mais Brilhante Que O Sol, que se apresentou aos três pastorinhos em 1917.

O Papa Francisco canonizou Francisco e Jacinta Marto como santos, passando estes a serem os mais novos de toda a história da Igreja Católica.

Estive presente nas cerimónias no Santuário, onde passei a noite de 12 para 13. Foi uma sensação incrível de paz, estando no meio de estranhos de todas as nacionalidades, reconhecendo sotaques e conterrâneos, passando por pessoas a cantar ou a dormir em plena madrugada.

O melhor momento para mim foi a procissão das velas e o pior foi a espera para voltar para Lisboa no terminal rodoviário. Não haviam autocarros suficientes e a espera foi de quatro horas entre empurrões e gritarias. No final, valeu sempre a pena, o fim de semana foi fantástico. Deixo aqui algumas fotos dos momentos vividos com muita emoção no local.

P1130248P1130245P1130251

Azinheira onde a Senhora do Rosário aparecia.

P1130252P1130264

World Press Photo Exhibition Lisbon 2017

World Press Photo Exhibition Lisbon 2017

A exposição do concurso anual World Press Photo vai estar patente  até dia 21 de Maio no Museu Nacional de Etnologia. É possível ver que os temas retratados na maior parte das fotografias captadas relacionam-se maioritariamente com as guerras e as crises políticas atuais, maioritariamente entre a Rússia e a Ucrânia, o combate contra o Estado Islâmico e a crise humanitária dos refugiados e o racismo policial nos EUA.

Neste post temos algumas fotos da exposição, que não são tão conhecidas, mas igualmente bonitas.

18216109_10206672954942690_1913760573_o

Fotos de Valery Melnikov

18235838_10206672955662708_1784797615_o

Fotos de Mathieu Willcocks

18236338_10206672956062718_2035842567_o

Fotos da esquerda de Michael Hanke e foto da direita de Antonio Gibotta

18260746_10206672955102694_1404407728_o

Foto de Tomás Munita

18289905_10206672957062743_1022583629_o

Também é possível observar fotos que retratam a beleza do mundo que nos rodeia e vidas que não parecem ser afetadas pelo mundo “exterior”.

18236433_10206672956382726_35902316_o

Foto de Bence Máté

18260823_10206672953902664_1210372668_o

Fotos de Michael Vince Kim

18296808_10206672956462728_294299870_o

Foto de Elena Anosova

A minha foto preferida nesta exposição foi a foto do alemão Peter Bauza, que retrata na sua coleção de fotos, a vida em Campo Grande, no Rio de Janeiro, Brasil, onde muitas pessoas vivem em alojamentos precários.

18236640_10206672956702734_1252844037_o

A exposição estará disponível ao público no Museu Nacional de Etnologia, que se situa na Avenida Ilha da Madeira em Lisboa, terças-feiras das 14h às 18h e das quartas-feiras aos domingos das 10h às 18h. Os bilhetes tem diversos preços, 3€ geral, 1,50€ para estudantes, cartão jovem (15-25 anos), seniores (> 64 anos) e portadores de deficiência. A entrada é gratuita para grupos escolares, crianças até aos 12 anos, jornalistas e desempregados.

Agradecimentos:

Kateryna Chelnokova (By My Own Way)

Horas

estrada-de-ferro-desaparece-no-relgio-30472351Hoje o sol brilha por entre as cortinas da janela do quarto, parece mesmo primavera, os pássaros cantam desde as sete da manhã, mas eu ainda quero me agarrar à manta da cama.

Saio do quarto em direcção à casa de banho. A água aquece enquanto deixo a roupa deslizar lentamente pelo corpo até esta se encontrar no chão. Ainda estou zonzo devido às insónias da madrugada e assim entro na banheira. Tenho pouco tempo para me despachar, mas por momentos, o acolhimento da água morna deixa-me mais sonolento. Mesmo assim ainda solto algumas notas mais alegres acabando por acordar os vizinhos.

Fecho a torneira, olho as horas que parecem mais adiantadas em relação ao meu horário psicológico. O atraso faz parte da minha rotina e a minha rotina adora que eu esteja atrasado.

Nunca me visto a condizer e mal o faço dou por mim a voar sobre as escadas do prédio, com meia sandes numa mão e as chaves na outra. Ainda tento correr na rua, mas depois penso que já estou atrasado e que não vale a pena. Mil e um pensamentos…horas, planos para o futuro…horas, gestão do dinheiro, horas, paixões, horas, horas!! Horas que passam rápido e tardam a chegar.

Finalmente chego, mas sempre com vontade de partir. Estou bem onde estou, mas também o estaria onde quero estar. O dia passa, a noite chega, são horas de voltar. Pelo caminho bochecho vendo as luzes dos carros a passar buzinando e vejo tons amarelados de um pôr-do-sol reflectidos nos prédios. Dou um sorriso, esquecendo tudo até que piso um presentinho de um cão qualquer que por ali tenha passado.

Volto a subir as escadas do prédio, contando-as mentalmente até chegar a casa. No quarto atiro tudo para cima da cama… Também me atiro e olho o teto, para aquela mancha de bolor que parece uma carinha feliz, adormecendo a contemplá-la.

Acordo uma vez mais de madrugada, mas desta vez não com o sol como companhia, mas a lua que me saúda nostálgica, fiel companheira nas noites frias em que partilhamos o parapeito de uma janela, no último andar de um prédio, bem perto do céu.

Miguel Gomes

Saudade

p1120826

(Foto tirada no Campo Grande, no fim de setembro/início de outubro de 2016)

Já passou tanto tempo,
Ainda passo por ti, quase todos os dias.
Mas não como antes…
E eu tentei esconder de mim próprio o que sentia,
Quando todos à minha volta já o sabiam, até tu.
Tenho saudades tuas…
Quando te digo bom dia e dizes o mesmo
Com aquele teu sorriso rasgado e a tua voz que me transmite paz.
Saudades tuas…
Porque percebo que mesmo depois de te ter feito algo muito mau,
Tu mostras que ainda sou boa pessoa e que já me perdoaste…
Mas eu ainda não me perdoei…
E o tempo passa.
Mesmo perto, ficas cada vez mais longe…

4º Congresso dos Jornalistas Portugueses

12 a 15 de Janeiro de 2017

12 – “Não abdicar do seu poder” Maria Flor Pedroso

            O congresso começou com a sessão de abertura e com a intervenção de Maria Flor Pedroso, que refletiu acerca do peso da não comunicação, apresentando alguns números sobre a precariedade do exercício da profissão, tais como:

            7/10 jornalistas já pensaram deixar a profissão

            8/10 jornalistas têm formação

            6/10 jornalistas ganham menos de 1000€

            5/10 jornalistas não tem uma relação/não tem filhos

            4/10 jornalistas têm medo de perder o emprego

            1/10 tem mais de 55 anos

            Estes números, segundo a mesma, traduzem uma redução da independência, do rigor e da isenção do serviço público que o jornalista efetua.

            Concluiu a sua intervenção, dizendo que o jornalista deve interrogar sempre a realidade e não se deixar contaminar, pois é o responsável pela história do que vivemos atualmente. Referiu ainda que é necessário a viabilização económica das empresas do setor, bem como a afirmação da responsabilidade de cada um na sua redação.

            Seguiu-se Sofia Branco, que refletiu também sobre a precariedade na profissão e como esta se reflete no papel que o jornalismo tem na democracia. Afirmou ainda que a situação precária da atividade profissional se reflete no condicionamento da diversidade de olhares nas redações, devido às agendas e aos despedimentos, o que também leva a um espírito crítico adormecido.

            Reforçou que, em alguns casos, pertencer ao sindicato pode custar a profissão, apelando à união dos jornalistas, porque segundo a mesma, “a profissão é uma missão”. Diz ainda que “a sociedade não reflete sobre o jornalismo que tem, nem sobre o que quer ter”.

            A presidente do sindicato dos jornalistas encerra a sua intervenção com uma previsão do futuro: “O futuro será o que quisermos porque não há jornalismos sem jornalistas.”.

            O presidente da Casa de Imprensa, Goulart Machado foi o próximo a intervir e disse que 18 anos é muito tempo à espera de um congresso e que quase tudo mudou, no modo em que exercemos a nossa profissão. Referiu ainda que estamos na mais grave crise nas nossas situações profissionais e de que vivemos “na ilusão de que somos dispensáveis”.

            Foi a vez de Mário Zambujal, que mencionou Mário Soares e o comparou com o atual presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa, presente nesse mesmo painel, afirmando que ambos são exemplos da defesa da liberdade de imprensa. Afirmou que “o jornalismo é um desafio”, na medida em que os jornalistas são as testemunhas das alterações nas inovações tecnológicas.

            A palavra foi dada a Marcelo Rebelo de Sousa, que falou de vários aspetos relacionados com o jornalismo, desde a precariedade às más condições em que são feitos os estágios, que enfraquecem a missão dos jornalistas, revelando também uma preocupação em relação ao estatuto do jornalista.

            O presidente da república reforça a ideia de que “a precariedade enfraqueceu a missão do jornalista” e que, apesar da afirmação e renovação do jornalismo, com o seu auge em 1998, com a euforia da expo e o início do domínio no digital, não houve um encontro dos profissionais do setor durante as alterações das duas décadas.

            Marcelo falou ainda da imprensa local e regional e de como “morreram” e por fim, acabou a sua intervenção dizendo que o jornalismo não deve aceitar tudo o que é do momento, porque “sem jornalismo estável, não há jornalismo forte e independente, forte é independente”, crucial para o rejuvenescimento da democracia, segundo o mesmo.

            Mais tarde teve lugar a conferência inaugural, com a presença de Cândida Pinto, jornalista da SIC e Michael Rezendes, jornalista norte americano, vencedor do prémio Pulitzer de Serviço Público em 2003, pelo seu trabalho no “The Boston Globe”, que esteve na origem do filme “O Caso Spotlight”.

            O orador destacou que o jornalismo é um componente importante na democracia, tanto que “o trabalho de um jornalista é o de descobrir a verdade”.

            Rezendes foi estudante de literatura e foi a necessidade que fez com se tornasse jornalista e também o facto de gostar de política, como contou. Mais tarde, foi convidado para fazer parte do “The Boston Globe” e para a equipa Spotlight e passou a passou a falar do caso verídico que deu origem ao filme com o nome da equipa, e que retrata a primeira investigação jornalística a se tornar viral na internet, ao revelar o escândalo de abusos sexuais dentro da igreja católica.

            Deu vários conselhos aos estudantes presentes no congresso, entre os quais:

  • Criar amizade com uma entidade publicadora/criar contactos.
  • Ser bom ouvinte, ter curiosidade nas pessoas e nas suas vidas.
  • Ouvir todos os rumores e apenas publicar o que conseguimos comprovar.
  • Provar que o que se escreve é verdade.
  • Nunca escrever sem ter documentos precisos e nunca confiar em informações anónimas.
  • Sair do cubículo e falar com as pessoas, estabelecer conexões pessoais com quem queremos obter informações, criar um ambiente íntimo, informal (ex: combinar café).
  • Criar um critério de seleção de histórias emblemático e tem de afetar muitas pessoas.

      Concluiu, afirmando que as pessoas se tornaram céticas em relação ao que leem, em relação ao jornalismo e que para afirmar o jornalismo é necessário praticá-lo e não estudá-lo.

p1130075

13 – “Será possível formar alguém de raiz?” Sandra Marinho

Nota: No segundo dia do congresso apenas foi possível assistir à segunda e à terceira sessões.

      A segunda sessão teve como oradora convidada Sandra Marinho, professora auxiliar da Universidade do Minho e autora da tese “Jornalismo e Formação em Mudança”. A convidada, numa breve intervenção defendeu uma maior participação dos alunos e dos professores nas redações e a diferenciação das licenciaturas, com diferentes percursos, de forma a haver diferentes tipos de conhecimento numa redação.

      De seguida, deu-se lugar a diversas comunicações, com destaque para a de Alfredo Maia, que tocou num ponto fulcral: “são as empresas que determinam quem entra e sai no regime da profissão e determinam o perfil dos jornalistas.”.

      Procedeu-se então ao debate com o painel, sobre o tema “Ensino, acesso à profissão e formação profissional”, que se iniciou com a intervenção de Manuel Pinto. O catedrático da Universidade do Minho e antigo jornalista do Jornal de Notícias, afirmou que “aprende-se a fazer jornalismo nas redações” e defendeu diversos pontos entre os quais, maior regulamentação dos estágios profissionais, um outro tipo de contacto com o público, a adaptação às novas realidades tecnológicas e ainda que a academia e os jornalistas devem conversar.

      Seguiu-se a vez de Deolinda Almeida, diretora do Cenjor, que afirmou que são os jornalistas que procuram formação, principalmente os desempregados e apelou aos profissionais que o façam de acordo com as necessidades que encontrem.

      O último interveniente desta sessão foi Fábio Monteiro, colaborador do Expresso e vencedor do prémio Gazeta 2014. Afirmou que a experiência é mais importante que a formação e referiu que há um receio “em espalhar a realidade nos relatórios de estágio curricular”.

      Ficou bem assente nesta sessão que os estágios curriculares e profissionais carecem de proteção a nível constitucional e de que é necessário reformular a formação profissional dos jornalistas em diversas áreas.

p1130069

“Não há jornalismo sobre jornalismo, não nos conhecemos.” Jacinto Godinho

      A terceira sessão teve como orador convidado Joaquim Fidalgo, jornalista, professor universitário e antigo provedor do Leitor do Público. “O jornalista tem der ser um bom profissional”, diz, reforçando que o jornalista deve ter sempre presente a diferença entre a ética e a deontologia para poder bem exercer a profissão.

      Seguiu-se o debate com o painel, sobre o tema “Regulação, ética e deontologia”, iniciado com a intervenção de São José Almeida. A presidente do Conselho Deontológico do Sindicato de Jornalistas propôs que deveriam ser feitas alterações ao código deontológico do jornalista, visto que “Os jornalistas devem criticar o seu próprio trabalho”, diz a mesma. Além disso, diz ainda que “informação nem sempre é jornalismo, necessita de espírito crítico, transformação”.

      Houve uma pausa no debate com o painel para diversas comunicações, com destaque para Otília Leitão, que falou sobre a cláusula de consciência do jornalista. Esta cláusula permite aos jornalistas dizer não a algo que seja contra as suas convicções e dignidade, o que pode levar a uma desvinculação do contrato laboral sem prejuízo para o mesmo.

      A interveniente refere que a liberdade continua ameaçada na era digital, visto que é cada vez mais difícil dizer não na era da precariedade e que esta situação nos leva a sermos “transformados em operários de notícias”.

      O debate foi retomado com a intervenção de Jacinto Godinho, membro da CCPJ, jornalista da RTP e professor universitário da FCSH-UNL. Este defende que cada órgão deve ter um código deontológico adequado à sua realidade e que o Estatuto do Jornalista deve ser mais conhecido, porque apesar de o código deontológico ter mais prestígio, o estatuto é lei.

      Com o encerramento desta sessão, ocorreu o lançamento do livro “Tudo por uma Boa História”, com relatos de quarenta repórteres e apresentado por Joaquim Furtado.

p1130078

14 – “Pior do que perder o emprego e o medo, é perder a honra e a dignidade” Rodrigo Cabrita

      Com o fim da intervenção do orador convidado Miguel Crespo, que apresentou um inquérito feito aos jornalistas sobre as condições de trabalho, procedeu-se ao debate com o painel sobre o tema “Condições de trabalho dos jornalistas”, no qual se destacaram as intervenções de Sofia Branco e Rodrigo Cabrita.

      A presidente do sindicato dos jornalistas, Sofia Branco, que já havia falado na precariedade na sessão de abertura do congresso, refere 1/3 a metade dos jornalistas estão sindicalizados e que parece haver receio em fazer parte do sindicato. Falou também da tentativa de negociar uma tabela salarial para os freelancers e diz ainda que não aceita “que quem gere as empresas noticiosas, divida para reinar”, talvez referindo-se à situação dos jornalistas a recibos verdes da RTP, pagos pela Direção de Compras.

      Já Rodrigo Cabrita, fotojornalista freelancer, refere que “pior do que perder o emprego e o medo, é perder a honra e a dignidade”, referindo que o romantismo ainda tem de vencer o dramatismo, mesmo que as condições de trabalho não o permitam.

      Ao meio dia iniciou-se a Mesa Redonda sobre “Novos Projetos”, moderada por José Alberto Carvalho, jornalista da TVI. O debate girou em torno da viabilidade económica dos novos projetos, dos formatos adotados e do feedback do público.

      De destacar algumas citações de alguns membros do painel:

      “Os nosso adversários são os algoritmos” – José Alberto Carvalho (TVI)

      “As crises são oportunidades e a desculpa para tudo, até na notícia” – José Manuel Fernandes (Observador)

      “As histórias de cidade não estavam a ser bem contadas” – Samuel Alemão (O Corvo), referindo uma nova abordagem ao escrever notícias sobre a cidade de Lisboa.

      “O jornalismo é um trabalho de paixão. A vida pode ser mais tranquila, mas também é menos apaixonante.” – Rute Sousa Vasco (Sapo 24)

      “O jornalismo é uma missão, uma necessidade.” – Sofia da Palma Rodrigues (Magazine digital Divergente)

      “A rádio passa para o online, alia a escrita ao radiofónico.” – Pedro Rios (Rádio Renascença), referindo-se à cada vez maior tendência das rádios de prestarem um serviço online, através de sites.

      De mencionar ainda António Costa e o projeto ECO, um jornal digital totalmente direcionado para a economia e também Helena Geraldes e o projeto Wilder, revista online dedicada à natureza.

      A quinta sessão iniciou-se perto das 14:30 com o tema “A viabilidade económica e os desafios do jornalismo”, com destaque para as intervenção de Madhav Chinnappa e Pedro Santos Guerreiro.

      Madhav Chinnappa, Diretor of News & Publishers EMEA Strategic Relationships, Google, destaca o papel da Google em agregar notícias de diferentes órgãos de comunicação apresentando-os em simultâneo, ideia que surgiu após o ataque às Torres Gêmeas a 11 de setembro com a quantidade de informação a circular.

      Pedro Santos Guerreiro, do Expresso, referiu que “se nos preocuparmos demasiado com a viabilidade económica, deixa de haver jornalismo” e que devem ser denunciadas as situações de plágio.

p1130068

“Ser jornalista é saber chorar às vezes” Marta Caires

      Pelas 17 horas deu-se iniciou-se início à sessão com o tema “O Jornalismo de proximidade e a profissão fora dos grandes centros”, com destaque para as intervenções de Pedro Jerónimo e de Marta Caires.

      Pedro Jerónimo, doutorado em Informação em Plataformas Digitais, reflete acerca do estado do jornalismo regional, referindo vários aspetos entre os quais, a cada vez maior profissionalização que substituiu o amadorismo, a precariedade que se mantém, a demasiada proximidade às elites locais, o difícil acesso às fontes estatais e públicas e a competição com novos atores. Afirma ainda que existem novas alterações, devido a novos meios, como a internet, que dão visibilidade ao jornalismo regional, mas online.

       Marta Caires, jornalista madeirense, colabora do Expresso, falou um pouco da sua experiência na profissão, dando o exemplo da noticiabilidade dos incêndios na ilha da Madeira, no ano passado para dizer que “Quando está a acontecer, também te está a acontecer, ser jornalista é saber chorar às vezes.”, referindo de estar a viver os acontecimentos que narrava, bem como os de conhecidos com quem se encontrava. Defendeu maior visibilidade aos órgãos de comunicação social regionais “A Madeira também é Portugal”.

      Foi ainda lamentado pelo painel e pela comissão organizadora do congresso, o facto de estarem poucos jornalistas representantes das regiões autónomas da Madeira e dos Açores, apesar dos esforços feitos para que tal fosse possível.

      No fim do penúltimo dia do congresso foi lançado o livro “Que número é este? Um guia sobre estatísticas para jornalistas”, escrito por Ricardo Garcia, Maria João Valente Rosa e Luísa Barbosa, com apresentação de Helena Garrido.

p1130081

15 – “Tratar da liberdade nos nossos dias e no futuro, cabe a todos nós.” Américo Aguiar

      Nota: No último dia de congresso apenas foi possível assistir à “Apresentação, discussão e votação das conclusões e propostas ao congresso” e ao “Debate de encerramento: E agora?”.

      Perto das 14:30 horas do último dia do congresso teve lugar a apresentação, discussão e votação das conclusões e propostas ao congresso, com a moderação de Maria Flor Pedroso, e da comissão organizadora do congresso, que após longas horas aprovou a resolução final deste congresso.

scanner_20170208

      Por fim, chegou o último momento deste congresso, o debate de encerramento, com o tema “E agora?”, que contou com diversas personalidades, que refletiram sobre o caminho a seguir depois deste congresso. De destacar algumas citações deste painel:

      “Sobre o jornalismo devem decidir os jornalistas.”, disse Sofia Branco, defendendo que os jornalistas é que devem eleger os cargos da ERC e não o governo.